A filosofia de vida busca preservar o planeta e ampliar sua saúde evitando alimentos processados e industrializados.

Ao ouvir falar em alimentação viva ou Raw Food, como é conhecida nos EUA, muitas pessoas acabam pensando em um determinado tipo de dieta – que permite certos grupos de alimento e exclui outros. Mas, ela vai muito além disso, tratando-se, na verdade, de um estilo de vida.

A alimentação viva é um estilo de vida que valoriza a vitalidade presente nos alimentos. Por isso, é essencialmente vegana, baseada em legumes, hortaliças, frutas, germinados de grãos, sementes, algas e frutos secos. A alimentação viva, exclui qualquer alimento processado, refinado ou adulterado. Na elaboração de cada prato não se usa qualquer alimento de origem animal, produtos lácteos, mel, açúcar, sal refinado, soja ou tofu.

Os grãos, sementes e castanhas germinados são componentes importantíssimos na cultura Raw Food (Raw Vegan Food ou Crudivorismo) e na dieta da alimentação viva, baseada em vegetais crus, frescos e orgânicos cheios de energia. O processo de germinação das sementes e grãos é preferencialmente feito em casa. As receitas são preparadas sem o uso de fogão ou forno convencional. Há alimentos que são desidratados num forno desidratador a uma temperatura não superior a 44°C.

O que é germinação?

» Germinação é um processo no qual o grão começa a brotar novamente criando uma nova planta e por isso algumas pessoas chamam essa prática de alimentação viva. Tudo que você precisa para fazer a germinação em casa é água filtrada, tempo e os grãos integrais (com casca) de sua preferência.

» Para germinar um grão basta colocá-lo de molho na água até que a casca se quebre e libere um broto (em torno de 12 horas), depois disso basta enxaguar os grãos germinados, deixar escorrer e deixar descansar; faça esse processo de manhã e à noite. Quando em repouso deixe os grãos cobertos com um pano limpo, em lugar sem a claridade do sol e ventilado. Assim que aparecer esse novo raminho do seu grão você já pode consumi-lo, mas se quiser que o broto fique maior e só repetir o processo de enxágue duas vezes ao dia por 6 dias.

» Você pode usar os grãos germinados em várias receitas: nas saladas, sucos, tortas doces e salgadas, misturados com iogurte e muitos outros. Uma ótima dica de lanche da tarde é uma mistura de grãos germinados como a semente de girassol, linhaça, trigo e amêndoa com um molho de iogurte natural com mostarda, sacia, tem poucas calorias, é extremamente saudável e delicioso.

A alimentação viva contém enzimas vivas que ajudam na digestão e são ativadas assim que digeridas. Aquecer a comida a uma temperatura maior que 47,7°C causa a destruição destas enzimas e também de nutrientes, e vitaminas. Um dos maiores especialistas do mundo em Raw Food, o Dr. Gabriel Cousens, explica “Nossa reserva de enzimas diminui com o passar da idade, a nossa capacidade de manter o corpo saudável também diminui. O envelhecimento ocorre quando a concentração de enzimas diminui”. O Dr. Edward Howell, especialista no estudo de enzimas presentes nos alimentos, e Ann Wigmore, especialista em Comida Viva, concordam que a chave secreta para a longevidade é a preservação das enzimas.

Benefícios da alimentação viva

» É uma alimentação baseada em nutrientes e enzimas que melhoram o corpo como um todo devido ao seu alto poder alcalinizante. O processo de germinação eleva em até 20 vezes o potencial de vitaminas e minerais presentes em um grão, quando comparado ao seu estágio comum;

» A alimentação viva é rica em fibras – ajudando na limpeza do trato digestivo. A germinação quebra o amido concentrado e o transforma em carboidratos simples, além de também quebrar a proteína em aminoácidos livres, que são nutrientes mais facilmente digeridos pelo nosso organismo. Com essa digestão prévia produzida pela germinação, nosso sistema digestivo pode aproveitar melhor os nutrientes presentes nos grãos, uma vez que eles aumentam as enzimas digestivas em até 800%, favorecendo a absorção dos nutrientes;

» A ingestão de frutas e verduras na alimentação viva é muito superior à da alimentação tradicional;

» As proteínas vegetais são mais saudáveis. Altas temperaturas danificam as proteínas e a absorção dos aminoácidos;

» Melhora a absorção de minerais. O processo de germinação reduz a quantidade de ácido fítico dos alimentos. Em excesso, esse ácido dificulta a absorção de mineiras. Portanto, seu teor em menor quantidade na alimentação viva pode ser muito benéfico para o organismo.

» A alimentação viva é energizante – a maior parte das pessoas rapidamente sente um aumento de energia quando se alimenta desta forma. São alimentos mais fáceis de digerir que um prato de feijoada ou um steak com massa. É um tipo de alimentação cujos alimentos são menos densos que comidas processadas ou com alta concentração de amido. Além disto contem enzimas e catalisadores de proteína que ajudam a digestão por quebrar a comida em partes menores. Aí está novamente o fator de não necessitar que o corpo produza quantidade elevada de enzimas;

» Ajuda a manter o peso. Ao mesmo tempo em que são ricos em nutrientes, os alimentos germinados são pobres em calorias, o que é ótimo para manter o peso. Ademais, tal característica os torna excelentes opções para serem incluídas em dietas para quem deseja emagrecer, já que eles também aumentam a sensação de saciedade.

» A alimentação viva ajuda a melhorar a imunidade – muitas pessoas dizem ficar menos doentes depois de incorporar mais comida crua em suas dietas. É rica em vitaminas e minerais que aumentam a imunidade e também rica em poderosos antioxidantes;

» A alimentação viva é hidratante – ajuda a combater o cansaço, a preguiça, e a fome falsa que pode ocorrer por falta de água no corpo.

» Alívio dos sintomas da menopausa. A germinação eleva em 14% o teor de lignanas dos grãos e sementes. As lignanas são compostos fitoquímicos semelhantes ao estrogênio e, por isso, são grandes aliadas no alívio dos sintomas da menopausa, como as ondas de calor, causadas pela queda hormonal. Elas também têm propriedades anticancerígenas, ajudando, principalmente, a combater os cânceres de cólon e mama.

» Aumenta a capacidade antioxidante dos grãos. O processo de germinação também deixa os alimentos mais estáveis, ampliando suas capacidades antioxidantes.

» Melhora a qualidade do sono e age como calmante natural. A germinação do arroz integral ativa o ácido gama-aminobutírico (GABA) que é um neurotransmissor diretamente ligado aos processos de ansiedade. O GABA age como um calmante natural, reduzindo a ansiedade e a pressão arterial, melhorando a qualidade do sono. O que faz dele uma excelente alternativa para amenizar as mudanças de humor típicas da menopausa.

» Previne e controla o diabetes e o colesterol. As fibras solúveis presentes em leguminosas germinadas, como a lentilha, auxiliam na prevenção e controle do diabetes e do colesterol, além de aumentarem a sensação de saciedade, ajudando no controle do peso.

» São fontes ricas de ácidos graxo essenciais. Grãos germinados como as da farinha de linhaça são ricos em ácidos graxos essenciais, que são gorduras “boas” não produzidas naturalmente pelo corpo e essenciais para a regulação hormonal e do metabolismo, crescimento muscular, entre outras funções.

» Redução da flatulência. As leguminosas germinadas, como o feijão e a vagem, não causam perturbações intestinais, o que as torna mais fáceis de serem digeridas, reduzindo a ocorrência de flatulências.

Mas cuidado, mesmo uma dieta baseada em alimentos crus precisará de carboidratos, gorduras e proteínas, é preciso conhecer bem os alimentos para não sair consumindo qualquer coisa crua por aí. Alguns alimentos são até prejudiciais à saúde quando consumidos crus. Estudos científicos mostram que a comida crua não é obrigatoriamente mais saudável do que a cozida. Usando os conceitos de cozimento adequados, terá mais benefícios quem consumir a alimentação que estamos habituados junto à alimentação viva.

Um exemplo é o brócolis. Já foi comprovado que o vegetal apresenta mais nutrientes quando cozido. Mas para que isso ocorra, é preciso alguns cuidados no preparo. Você deve picar o brócolis, deixar descansar por 15 minutos e depois cozinhá-lo por apenas um minuto em água fervente ou no vapor. Assim, o alimento ativa uma enzima fundamental que forma um nutriente desintoxicante.

Quando se faz a opção pela alimentação viva, é preciso cercar-se de segurança em relação à procedência dos alimentos, bem como higienização adequada, refrigeração e desintoxicação. Temos que lavar os alimentos muitíssimo bem. A maioria deles, antes do consumo, pode ser mergulhada em uma solução de hipoclorito de sódio, para garantir a esterilização. Nos casos onde houver dificuldade em relação ao hipoclorito, pode-se fazer uma substituição por vinagre, na seguinte proporção: uma colher de sopa de vinagre para cada litro de água filtrada. É importante ressaltar que essas soluções matam bactérias e micro-organismos, porém não eliminam agrotóxicos. Por isso, o maior cuidado que se deve ter ao optar por esse estilo de vida é consumir produtos orgânicos.

Comece aos poucos, policie-se, leia, estude muito sobre o assunto e descubra um pouco mais desta maravilha. Você pode até não virar um Crudivorista, mas irá, assim como eu, inserir várias opções “cruas” na sua alimentação.

Consulte sempre sua nutricionista, aumente a quantidade de alimentos crus no seu dia-a-dia e sinta os benefícios na sua saúde!

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