O açúcar é um termo genérico para carboidratos cristalizados comestíveis, principalmente sacarose, lactose e frutose. É importante sabermos que o açúcar é um alimento altamente ácido que, a fim de ser digerido, precisa que alguns minerais (especialmente o cálcio) sejam retirados de alguns órgãos (especialmente dos ossos) a fim de ajustar o pH do sangue e trazê-lo para suas taxas normais.

O pH sanguíneo normalmente varia de 7,35 a 7,45; quando sai dessa faixa, para cima ou pra baixo, as nossas células não conseguem trabalhar corretamente, e se nada for feito para corrigir, acabamos entrando em coma e/ou morrendo. Mas, nosso organismo é muito inteligente e ele fará tudo que puder para manter o pH sanguíneo dentro da faixa correta. Quando ingerimos algum alimento muito ácido, como açúcar refinado, por exemplo, nosso organismo se utiliza de um mecanismo para manter o pH em níveis saudáveis; este mecanismo consiste em retirar cálcio, que é um mineral super alcalino, de nossos órgãos afim de baixar a acidez que o açúcar refinado produz.

Até cerca de 300 anos atrás a humanidade não usava aditivos doces na sua dieta ordinária. Hoje somos uma civilização, consumidora de milhares de toneladas diárias de açúcar.

Uma droga viciante

O açúcar aumenta os níveis de hormônios como a dopamina e a serotonina, o que causa uma momentânea sensação de bem-estar, mas com a liberação da insulina, esse estado de excitação passa rapidamente, e a pessoa sente vontade de comer mais açúcar, portanto, o açúcar pode viciar. Além do vício, o excesso de açúcar também prejudica a memória e dificulta o aprendizado, o que leva a uma diminuição do rendimento nos estudos e no trabalho.

A forma que o açúcar é metabolizado pelo organismo o torna muito perigoso

O açúcar é proveniente da cana de açúcar e é classificado como sacarose. Quando digerido, ele se desdobra em glicose e frutose. Excesso de glicose na circulação é ruim, mas excesso de frutose parece ser muito pior. A frutose derivada do açúcar de cozinha e a frutose ultra concentrada usada no xarope de milho que adoça os refrigerantes e sucos industrializados só podem ser metabolizadas pelo fígado, enquanto que a glicose pode ser absorvida por outros tecidos, como músculos. Se os seus níveis de glicogênio hepático estão cheios, o que acontece todos os momentos do dia, exceto antes de tomar o desjejum, após isso, a frutose é transformada em gordura!

A partir do momento que seu fígado não deseja armazenar esta nova gordura, as manda para outras partes do seu corpo, lugares que você não deseja como o seu abdômen ou parte inferior das costas.

Quando as moléculas de frutose chegam ao nosso intestino, onde são absorvidas pela circulação, uma parte é processada pelas células do intestino. Mas boa parte vai para o fígado, um órgão que é habilitado para processar pequenas quantias de frutose, não as altas doses que se ingere a partir dos produtos industrializados. Nosso organismo utiliza a glicose como nosso principal combustível. Já a frutose é uma molécula adicional totalmente desprezível. Por isso, quando as moléculas de frutose são absorvidas no fígado, ele se sobrecarrega tendo que processar ambos combustíveis.

O problema é que o jeito dele de processar a frutose é transformá-la em gordura. Isso explica por que os altos níveis de triglicérides no sangue, o aumento nos estoques de gorduras no fígado, no abdômen e flancos.

As frutas, as verduras e os legumes também contêm frutose, mas em quantidades muito menores. A frutose natural é saudável, porque vem acompanhada de vitaminas, minerais e fibras. Esses nutrientes garantem que a frutose seja absorvida lentamente pelo organismo.

Rótulos de alimentos industrializados

A indústria nos incentiva cada vez mais ao consumo, disponibilizando nas prateleiras produtos recheados de açúcar, e desde a primeira refeição do dia até a última consumimos alimentos ricos neste ingrediente, até mesmo sem perceber. Adoçar sucos de frutas, consumir inúmeros cafés com açúcar ao longo do dia, o consumo de refrigerante, balas, chocolates, bolachas, massas, pães, doces, são alguns exemplos de quanto se consome de maneira despercebida e excessiva este grande vilão da saúde.

A Organização Mundial de Saúde fez um estudo e concluiu que o brasileiro exagera no consumo de açúcar. A OMS também alerta que existe muito açúcar oculto nos alimentos industrializados, até nos salgados.

Muitos produtos industrializados contêm açúcar que são indicados nos rótulos com outros nomes que muitas vezes não são reconhecidos como açúcar. A indústria utiliza diversas formas de açúcar como ingrediente dos seus produtos, podendo estar presente no rótulo com os seguintes nomes: açúcar invertido, sacarose, glicose, glucose, frutose, melado, maltodextrina, dextrose, maltose e xarope de milho.

Ao ler o rótulo, também é importante lembrar que os primeiros ingredientes da lista são aqueles que estão em maior quantidade no produto. Assim, se o açúcar vem primeiro, ele é o ingrediente mais utilizado para fazer aquele determinado produto. O cuidado com o consumo de açúcar é especialmente importante para as crianças, pois elas ainda estão formando seus hábitos alimentares e o consumo excessivo de açúcar desde a infância contribui para o aumento do risco de diabetes e doenças cardiovasculares.

Principais perigos

Durante anos, o sal foi considerado o grande vilão para quem sofre de pressão alta. Isso porque diversos estudos indicam que o sódio presente no tempero eleva o risco de acidentes vasculares cerebrais em 25% e seria o responsável por 3 milhões de mortes no mundo anualmente. Mas uma nova pesquisa realizada por cientistas de Nova York e do Kansas, nos Estados Unidos, aponta que o açúcar está mais relacionado ao aumento da pressão do que o sódio. Em artigo publicado no American Journal of Cardiology, especialistas liderados pelo Dr. James Di Nicolantonio argumentam que os níveis elevados de açúcar no sangue afetam uma área-chave do cérebro, chamada hipotálamo, que faz com que a frequência cardíaca acelere e a pressão suba.

Pesquisa desenvolvida pelo Centro Médico da Universidade de Leiden e pela Unilever mostrou, pela primeira vez, que existe relação entre açúcar e envelhecimento. Pessoas com nível mais alto de açúcar no sangue aparentam ser mais velhas. A proporção, segundo o estudo, é de cinco meses a mais de idade para cada aumento de 1 mmol/litro de açúcar no sangue. Isso porque os açúcares são verdadeiras fábricas de radicais livres. Eles se acumulam lentamente ao longo do tempo, acelerando o processo de envelhecimento celular e, consequentemente, o aparecimento de rugas e linhas de expressão.

O consumo frequente de açúcar aumenta as chances de ter problemas como:

» Cáries nos dentes;
» Depressão;
» Arteriosclerose;
» Artrite;
» Enxaquecas;
» Insônia;
» Distúrbios glandulares;
» Obesidade (aumento da gordura visceral);
» Diabetes tipo II;
» Colesterol alto;
» Gordura no fígado;
» Câncer;
» Gastrite;
» Hipertensão arterial;
» Gota;
» Prisão de ventre;
» Diminuição da memória;
» Doenças Cardiovasculares;
» Ácido úrico elevado;
» Miopia;
» Trombose;
» Acne.

Quando ingerimos algum alimento muito ácido, como açúcar refinado, por exemplo, nosso organismo se utiliza de um mecanismo para manter o pH em níveis saudáveis; este mecanismo consiste em retirar cálcio, que é um mineral super alcalino, de nossos órgãos afim de baixar a acidez que o açúcar refinado produz. Também, carboidratos refinados elevam as taxas de açúcar no sangue que pode levar o pâncreas a secretar mais insulina no organismo, dessa forma colocando muito trabalho neste órgão e gradativamente faz com que ele pare de produzir insulina em quantidades suficientes, ou até mesmo fazer com que as células se tornem resistentes a insulina. Portanto, levando o organismo à diabete.

Quando há muita insulina na corrente sanguínea causada pela alta taxa de glicose no organismo (hiperglicemia), muita glicose acaba entrando nas células causando uma grande queda da taxa de açúcar no sangue (hipoglicemia). Durante o período de hiperglicemia o corpo recebe sinais para armazenar gordura. E durante a hipoglicemia, o corpo sente fome, treme, fica fraco, nervoso e pede por mais doce. Isso cria um ciclo vicioso que desequilibra o funcionamento do pâncreas, as taxas de energia e as mudanças de humor.

Os produtos abaixo devem ser evitados porque contêm altas doses de frutose, são altamente processadas, e são calorias vazias. Se consumidas frequentemente e em grandes quantidades podem levar ao aparecimento dos problemas citados acima.

» Xarope de milho com alta taxa de frutose (High Fructose Corn Syrup – HFCS);
» Xarope de milho (Karo);
» Açúcar branco (Sacarose);
» Açúcar invertido (glicose + frutose);
» Frutose;
» Agave.

Os tipos de açúcar abaixo são escolhas mais saudáveis que os anteriores. No entanto, não devem ser usados de forma rotineira.

» Malte de cevada;
» Xarope de arroz integral;
» Rapadura;
» Açúcar mascavo;
» Açúcar do coco;
» Maple Syrup.

Quais são as alternativas?

Lembre-se: açúcar é açúcar, e mesmo consumindo os mais naturais, devem ser usados com moderação. Então não importa muito qual o tipo de açúcar que usamos, mas sim a quantidade e a frequência com que o ingerimos. Porém os citados abaixo são altamente nutritivos que vale a pena os ingerir. Estes são aqueles que você deve ter em casa para adoçar qualquer coisa:

» Melado de cana não-sulfurizado
Não recebe ácido sulfúrico no processo onde o mesmo é retirado da cana de açúcar. Muito rico em cálcio, ferro, cobre, magnésio, fósforo, potássio e zinco. É também um alimento alcalino.

» Mel natural cru (não pasteurizado ou processado)
Tem propriedade expectorante, antibacteriana, contém minerais (cálcio, fósforo, potássio, ferro), vitaminas e proteínas. Contém também a pólen da abelha, própolis, antioxidantes, enzimas, algumas vitaminas e minerais, e possui também propriedades antibióticas. Não aqueça o mel cru senão ele perde todas as suas propriedades maravilhosas! Então, se for fazer um bolo ou algo que vá ao fogo/forno, prefira usar o melado.

» Stévia natural
Extraído de uma planta que tem o potencial de adoçar 300 vezes mais do que o açúcar comum. Esta planta é um adoçante natural, com praticamente zero caloria e carboidrato (índice glicêmico 0). Mas seja cuidadoso quando for comprar a stévia para não escolher marcas que sejam altamente processadas, pois muitas vezes a stévia é misturada com outros adoçantes artificiais. A stévia natural confiável é aquele pozinho verde que se encontra de vez em quando nas lojas de produtos naturais.

Dicas para diminuir o açúcar na sua alimentação:

» Comece reduzindo o açúcar refinado para ir gradativamente mudando sua palatividade, até eliminá-lo totalmente;
» Evite consumir sucos industrializados, refrigerantes, doces de maneira geral, balas, goma de mascar e demais carboidratos simples como arroz, massas, pão, bolachas e bolos. Eles também têm absorção rápida e podem causar danos à saúde;
» Não adoce sucos de frutas naturais – dê preferência à fruta em natura ao invés do suco;
» Utilize o mel natural cru, porém, moderadamente;
» Se for diabético e escolher utilizar o adoçante, utilize os naturais como stévia, extrato de agave ou sucralose;
» Evite consumir, mas se não tiver jeito, substitua todos os carboidratos refinados (pães, massa, biscoito) pela versão integral.

5 motivos que podem fazer você cortar o açúcar da alimentação, além do ganho de saúde:

» Sua energia melhora;
» Seu peso vai estabilizar de forma natural;
» Seu intestino vai funcionar melhor;
» Vai sentir menos fome;
» Sua pele ficará mais saudável;

Você definitivamente não precisa do açúcar branco para viver. Mas, não acredito em nada que seja radical. Quando vivemos em algum extremo, tanto para mais quanto para menos, não conseguimos levar a situação por muito tempo sem consequências. Se você ainda não tem problemas de saúde relacionadas ao açúcar deve evita-lo ao máximo, mas quando não tiver jeito, consuma o mínimo possível.

Como sempre falo, o mais importante é você consumir um alimento, seja ele qual for, sabendo o que ele trás de benefícios (ou não) para você, com isso sempre será um consumo responsável. Busque optar por uma vida mais alcalina e descasque mais e desembale menos!

[ ]’s, h.

 

Fontes de pesquisa:
Bela Gil, Tatiana Zanin, Rosângela Espinossi, Equilíbrio Nutricional e Jorge Roriz.
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