Por toda a minha adolescência pude acompanhar minha mãe cozinhando em casa e usando aqueles tabletes de tempero pronto em praticamente tudo. Sempre observava a empolgação dela no supermercado dizendo “olha esse sabor, é novo, vou experimentar”, mas o que ninguém nunca fez lá em casa foi ler o rótulo daqueles temperos prontos, tão “enriquecedores” no sabor dos pratos.

Hoje, muito mais preocupado com minha saúde, e a da minha família, sempre busco entender o que os alimentos realmente trazem de bom ou de ruim para o nosso organismo, por isso, procuro ler os rótulos dos produtos que compro no supermercado. Mas, muita gente que lê, não sabe o que significam aqueles nomes estranhos, muitas vezes mascarados com palavras difíceis, e isso leva ao desconhecimento. Um destes nomes estranhos presentes em muitos produtos industrializados é o glutamato monossódico. Você sabe o que é?

O GMS – Glutamato Monossódico (sigla em inglês MSG – monosodium glutamate) é um dos aminoácidos não essenciais mais abundantes que ocorrem na natureza, que é encontrado naturalmente em alimentos como tomate e cogumelos.

Em 1908, o professor da Universidade Imperial de Tóquio, Kikunae Ikeda, isolou o ácido glutâmico como uma nova substância a partir da alga marinha Laminaria Japonica. Ele verificou que o glutamato era responsável pela palatabilidade do caldo feito com a alga marinha kombu, chamado de kombu dashi, e percebeu que havia algo distinto dos outros sabores conhecidos até então: doce, azedo, amargo e salgado, e o chamou de umami. E é exatamente esse quinto sabor que está presente no glutamato monossódico, em algumas algas, peixes, e até mesmo no leite materno. O leite materno possui esse incrível sabor, unami, de forma obviamente natural.

Para verificar o potencial gustativo umami do glutamato ionizado, o professor Ikeda estudou as propriedades de gosto de vários sais de glutamato como os de cálcio, potássio, amônio e magnésio. Todos os sais provocaram o gosto umami, além de um certo gosto metálico, devido aos outros minerais. Entre esses sais, o glutamato monossódico era o mais solúvel e saboroso, além de cristalizar com facilidade.

O professor Ikeda apresentou uma patente do glutamato monossódico para produzi-lo. O empresário Saborosuke Suzuki iniciou a produção comercial de GMS em 1909 com a marca comercial AJI-NO-MOTO, que significa “a essência do sabor” em japonês. Foi a primeira vez que o glutamato monossódico foi produzido no mundo.

Assim como eu, você deve estar se perguntando, mas será que o glutamato monossódico faz mal à saúde?

Alguns estudiosos dizem que sim! Que ele é o grande responsável pela obesidade, dores de cabeça, enxaqueca, aceleração dos batimentos cardíacos, dores no peito, dormência ou formigueiro no rosto e pescoço, asma, palpitações e sudorese e a longo prazo, até Alzheimer.

Por outro lado, organismos nacionais e internacionais que avaliam a segurança de aditivos alimentares consideram o GMS seguro para o consumo humano como um realçador de sabor. Um relatório da Federação das Sociedades Americanas de Biologia Experimental (FASEB), publicado em 1995, em nome da Agência regulatória para Alimentos, Medicamentos e Cosméticos dos Estados Unidos (FDA) concluiu que GMS é seguro quando “consumido em níveis habituais”. O órgão de regulamentação de alimentos da Austrália e Nova Zelândia (FSANZ, Food Standards Australia New Zealand) negam explicitamente qualquer ligação entre GMS e “efeitos colaterais graves” ou “efeitos duradouros”, e declaram que o GMS é “seguro para a população em geral”.

Então, a resposta da pergunta acima é que ninguém sabe ao certo se faz mal ou não. Diante de tantas incertezas e falta de conclusões, nós mesmos devemos tomar a frente de todas as pesquisas e tentarmos diminuir a ingestão de produtos industrializados.

Hoje o glutamato monossódico está mais presente do que imaginamos, além do famoso Ajinomoto, também encontramos no supermercado outras marcas como Kitano, Arisco, Caldo Maggi, Caldo Knorr, Sazón etc. É um engano achar que o glutamato monossódico está presente apenas nos tabletes que vimos nossas mães usarem diariamente na cozinha. Ele está presente até mesmo naquele seu molho de tomate do tipo Pomarola, em alguns requeijões, em milhares de marcas de biscoitos, doces, salgadinhos “sabor tipo isso ou aquilo”. Enfim, é quase impossível escapar do glutamato monossódico. Se algo possui sabor artificial de alguma coisa, ou precisa ter o sabor realçado, provavelmente tem glutamato monossódico.

Imaginando que a maioria dos produtos industrializados possuem o realçador de sabor (GMS) fico com a sensação de que estamos ingerindo em excesso esta substância já há muito tempo, e como acredito plenamente que tudo em excesso faz mal, é preciso cortar o máximo possível dessa substância no nosso dia-a-dia.

GMS – Glutamato monossódico, o menor dos seus problemas

A cada dia a indústria lança novos produtos destinados a realçar o sabor dos alimentos preparados em casa. O grande problema mesmo é que esses tabletes de temperos prontos industrializados, além dos realçadores de sabor (glutamato monossódico), são verdadeiras bombas de sódio, com aromatizantes, corantes, caramelo IV etc.

Já falamos por aqui que, para as pessoas saudáveis, a dose máxima de sal recomendada pelo Ministério da Saúde é de 5g por dia (2.000mg de sódio). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que o consumo do brasileiro está em 12 gramas diários, valor que ultrapassa o dobro do recomendado.

Quantidade de sódio em meio tablete dos caldos industrializados da Maggi:

» MAGGI® Caldo de Costela – 1.006mg de sódio em ½ tablete;
» MAGGI® Caldo de Picanha – 975mg de sódio em ½ tablete;
» MAGGI® Caldo de Galinha – 965mg de sódio em ½ tablete;
» MAGGI® Caldo de Bacon – 956mg de sódio em ½ tablete.

Outros temperos prontos:

» MAGGI® Meu Segredo – 1.833mg de sódio em 1 unidade;
» MAGGI® Fondor – 1.085mg de sódio em 1 colher (chá);
» MAGGI® Gril – 1.056mg de sódio em 1 colher (chá).

Como podemos ver, se usarmos qualquer um destes temperos, já consumiremos praticamente 50% da nossa cota diária de sal, sem falar dos outros ingredientes que também fazem muito mal a nossa saúde. O melhor a ser feito é preparar seu próprio caldo de galinha em casa e optar por ervas, condimentos, especiarias, e começar a deixar de lado estes venenos industrializados carregados de produtos químicos.

Leia, e entenda, sempre os rótulos dos produtos que você compra no supermercado. Entender o que você está comendo, o que o alimento trás de benefício (ou não), ajudará muito você a ter uma vida mais saudável, sempre comendo de forma consciente.

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